Hiperfoco em letras musicas de Zé Ramalho

A vida se constituí de fases e essas nos acompanham através das poesias e das canções, sobretudo, as músicas que trazem um significado para/da vida. Nos últimos tempos tenho escutado bastante o cantor Zé Ramalho e, também, buscado refletir no significado de suas letras. Zé Ramalho é um dos artistas nordestinos mais aclamados do Brasil. Nasceu em Brejo do Cruz, no sertão da Paraíba. Com suas canções extremamente significativas, tanto em letra quanto em melodia, ele coleciona inúmeros sucessos em seus mais de 40 anos de carreira. Foi criado pelo seu avô paterno a qual escreveu a música "Avôhai". Uma pausa. Já há o que analisar e curiosidade. Vamos juntos analisar essa letra?

Avôhai -> Durante a viagem psicodélica, ele escutava uma voz dizendo “avôhai, avôhai” Palavra criada por ele.
Zé Ramalho

Um velho cruza a soleira -> peça de mármore
De botas longas, de barbas longas
De ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde quarava
Sua camisa e seu alforje de caçador -> sacola

Oh, meu velho e invisível
Avôhai
Oh, meu velho e indivisível
Avôhai

Logo nas primeiras estrofes, somos apresentados à figura principal da música: José Alves Ramalho, o avô de Zé Ramalho que, como já falamos, exerceu o papel de pai para o artista e o ensinou todos os valores que ele carrega até hoje já que seu pai faleceu bem pequeno.

Neblina turva e brilhante
Em meu cérebro, coágulos de sol
Amanita matutina -> cogumento altamente tóxico
E que transparente cortina
Ao meu redor

E se eu disser que é mei sabido
Você diz que é mei pior
E pior do que planeta
Quando perde o girassol

É o terço de brilhante
Nos dedos de minha avó
E nunca mais eu tive medo da porteira
Nem também da companheira
Que nunca dormia só

Zé também exaltava os alucínogenos que usava e a fé de sua avó, dizendo que essa fé espantava todo o seu medo.

Avôhai! Avô e pai!
Avôhai! Avôhai!

O brejo cruza a poeira
De fato existe um tom mais leve
Na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos
Que amargam as pessoas que fitar -> ficar

Mas que bebem sua vida
Sua alma na altura que mandar
São os olhos, são as asas
Cabelos de avôhai

Na pedra de turmalina
E no terreiro da usina, eu me criei
Voava de madrugada
E na cratera condenada, eu me calei

E se eu calei foi de tristeza
Você cala por calar
E calado vai ficando
Só fala quando eu mandar

Nessa parte, conhecemos também um pouco da cidade natal do cantor. Ele nasceu em Brejo do Cruz, no interior da Paraíba, que fica no sopé da Pedra de Turmalina. O brejo cruzando a poeira do primeiro verso faz referência ao êxodo rural ocorrido na região, em que muitos nordestinos se mudaram de suas comunidades para tentar melhores oportunidades nas grandes metrópoles. Foi o que ele vivenciou aos 5 anos, quando deixou para trás, junto de sua família, o “terreiro da usina” onde brincava com outras crianças e se mudou para Campina Grande.

Rebuscando a consciência com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa
Girando na carrapeta no jogo de improvisar -> árvore mesma que pau brasil

Entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa
Pra doutor não reclamar
Não reclamar!

Zé gostava de improvisar versos desde pequeno, o que fez dele um poeta desde sua infância. 

Avôhai! Avô e pai!
Avôhai! Avôhai!
Avôhai!





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